terça-feira, 21 de abril de 2026

O cura da aldeia

O cura da aldeia (janeiro de 1837- março de 1845)

Volume XIV: Estudos de Costumes: Cenas da Vida Rural (lido entre 21 de fevereiro de 2026 e )

Personagens: Jerônimo Batista Salviat, Sra. Salviat (nascida Champagnac), Verônica, irmã Marta, Pedro Graslin, Grossetête, padre Dutheil, Visconde de Grandville, Pingret, sr. e sra. Des Vanneaulx, Joana Malassis, João Francisco Tascheron, padre de Grancour, Gabriel de Rastignac, padre Bonnet, Úrsula, Denise Tascheron, Luís Maria Tascheron, Maurício Champion, Jerônimo Colorat, Farrabesche, Catarina Curieux, Benjamin, Gregório Gérard, Fresquin, Ruffin, Roubaud, Horácio Bianchon.

Padre Bonnet e Verônica

A história se passa entre 1792 e 1840

Em Limoges, o velho comerciante de sucata da região de Auvergne, Sauviat, e sua esposa têm uma filha, Verônica, a quem criam como uma cristã devota. Silenciosa e apaixonada, Verônica casa-se com o banqueiro riquíssimo Graslin. Ela se torna a mulher mais perfeita de Limoges, respeitada por sua inteligência e virtude. Ninguém, exceto sua mãe, sabe que ela se tornou amante de um jovem operário empregado por seu pai, Tascheron, que a ama apaixonadamente. Ambos desejam fugir e viver seu amor abertamente. Eles planejam um roubo contra um velho avarento, solitário e desprezado. O assalto dá errado: o velho avarento e sua criada são mortos. Verônica não viu nada, mas compreendeu tudo. Descoberto, Tascheron é condenado e torturado; mas ninguém suspeita do motivo que transformou um jovem gentil e honesto, o filho caçula de uma família camponesa irrepreensível, em um assassino. Veronique esconde seu tormento; ela está grávida. Seu filho nasce no mesmo dia em que seu jovem amante sofre a tortura. Viúva do velho Graslin, Verônica se condena a expiar o assassinato no qual esteve secretamente envolvida. Ela se instala em Montégnac, a aldeia pobre onde os Tascheron viviam. Para se redimir, ela drenará as encostas áridas de Montégnac e garantirá, por meio de imensas obras públicas, a prosperidade dos camponeses pobres que habitam a aldeia. Ela confia no Padre Bonnet, um santo, que transformou os habitantes desta paróquia e que acompanhou o jovem Tascheron até o pé do cadafalso. Sob sua orientação, ela reúne o apoio dos mais experientes, constrói uma represa, canaliza as águas que erodiam o solo e transforma uma região desolada em uma bela paisagem. Esse ato de reparação, que ela oferece secretamente ao seu amado, é uma expiação perante os homens, mas ainda não perante Deus. Seu olhar fixo no túmulo do seu jovem amante, a quem tanto desejava ver, é, para o padre que a guia, uma persistência no pecado. As impiedosas penitências que ela se impõe são insuficientes para apagar aculpa de seus atos. Ela compreende, graças ao Padre Bonnet, que ainda é pecadora na forma de seu arrependimento, e que esse arrependimento só é cristão se for oferecido somente a Deus, em perfeito arrependimento e completo esquecimento das paixões terrenas. É a essa conclusão que o bondoso apóstolo da aldeia consegue conduzi-la. Ela morre confessando publicamente sua cumplicidade e rasgando, diante dos olhos de todos, o manto de virtude sob o qual era venerada, apresentando-se como a pecadora que é, ainda buscando perdão. 

A confissão de Verônica

Esse resumo foi parcialmente copiado e traduzido  do prefácio do 21º volume de La Comédie Humaine, publicado pela France Loisirs em 1987. 

Sem conhecer um pouco da história do texto, estranhamos que o personagem que lhe dá o título, o padre Bonnet, só apareça na página 78 da edição da Globo! Na verdade, o padre é um personagem secundário, como vários outros. Originalmente, a história seria a das boas ações do padre Bonnet transformando  uma população perversa, atrasada e sem fé, propensa a delitos e até mesmo a crimes, em pessoas religiosas e trabalhadoras. Isso através da fé católica. Nosso mestre considerou que essa história teria muito pouco apelo comercial. Despois de muitas modificações, a história se transforma na expiação do pecado de Verônica através de sua dedicação aos camponeses de Montégnac. 

O que achei mais interessante é o que não está no texto. O fato de Balzac não ter descrito o romance de Verônica com Tascheron deixou o romance muito mais interessante. Sabemos que sua mãe, a velha Salviat, sabia de tudo. Adivinhamos que o filho de Verônica não é de Graslin, mas de Tascheron. Há um momento em que Verônica sustenta que a desconhecida amante do criminoso seria uma moça solteira e não casada, tentando convencer o promotor a afastar a premeditação e a consequente pena de morte. Há os sapatos elegantes que Tascheron usava no dia do crime.

A confissão pública de Verônica logo antes de morrer é uma cena bonita e tocante, mesmo para quem não é religioso. Mas considero que o texto teria mais impacto sem a confissão. Deixando a dúvida: era Verônica mesmo o motivo do crime de Tascheron  ou isso era fantasia da leitora? 

Fonte do resumo: https://www.balzac-analyse.com/tome-xxi-le-cure-de-village/

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