O cura da aldeia (janeiro de 1837- março de 1845)
Volume XIV: Estudos de Costumes: Cenas da Vida Rural (lido entre 21 de fevereiro de 2026 e )
Personagens: Jerônimo Batista Salviat, Sra. Salviat (nascida Champagnac), Verônica, irmã Marta, Pedro Graslin, Grossetête, padre Dutheil, Visconde de Grandville, Pingret, sr. e sra. Des Vanneaulx, Joana Malassis, João Francisco Tascheron, padre de Grancour, Gabriel de Rastignac, padre Bonnet, Úrsula, Denise Tascheron, Luís Maria Tascheron, Maurício Champion, Jerônimo Colorat, Farrabesche, Catarina Curieux, Benjamin, Gregório Gérard, Fresquin, Ruffin, Roubaud, Horácio Bianchon.
| Padre Bonnet e Verônica |
A história se passa entre 1792 e 1840
Em
Limoges, o velho comerciante de sucata da região de Auvergne, Sauviat, e sua
esposa têm uma filha, Verônica, a quem criam como uma cristã devota.
Silenciosa e apaixonada, Verônica casa-se com o banqueiro riquíssimo
Graslin. Ela se torna a mulher mais perfeita de Limoges, respeitada por sua
inteligência e virtude. Ninguém, exceto sua mãe, sabe que ela se tornou amante
de um jovem operário empregado por seu pai, Tascheron, que a ama
apaixonadamente. Ambos desejam fugir e viver seu amor abertamente. Eles
planejam um roubo contra um velho avarento, solitário e desprezado. O assalto
dá errado: o velho avarento e sua criada são mortos. Verônica não viu nada,
mas compreendeu tudo. Descoberto, Tascheron é condenado e torturado; mas
ninguém suspeita do motivo que transformou um jovem gentil e honesto, o filho
caçula de uma família camponesa irrepreensível, em um assassino. Veronique
esconde seu tormento; ela está grávida. Seu filho nasce no mesmo dia em que seu
jovem amante sofre a tortura. Viúva do velho Graslin, Verônica se condena a
expiar o assassinato no qual esteve secretamente envolvida. Ela se instala em
Montégnac, a aldeia pobre onde os Tascheron viviam. Para se redimir, ela
drenará as encostas áridas de Montégnac e garantirá, por meio de imensas obras
públicas, a prosperidade dos camponeses pobres que habitam a aldeia. Ela confia
no Padre Bonnet, um santo, que transformou os habitantes desta paróquia e que
acompanhou o jovem Tascheron até o pé do cadafalso. Sob sua orientação, ela
reúne o apoio dos mais experientes, constrói uma represa, canaliza as águas que
erodiam o solo e transforma uma região desolada em uma bela paisagem. Esse ato
de reparação, que ela oferece secretamente ao seu amado, é uma expiação perante os homens, mas ainda não perante Deus. Seu olhar fixo no túmulo do seu
jovem amante, a quem tanto desejava ver, é, para o padre que a guia, uma
persistência no pecado. As impiedosas penitências que ela se impõe são
insuficientes para apagar aculpa de seus atos. Ela compreende,
graças ao Padre Bonnet, que ainda é pecadora na forma de seu arrependimento, e
que esse arrependimento só é cristão se for oferecido somente a Deus, em
perfeito arrependimento e completo esquecimento das paixões terrenas. É a essa
conclusão que o bondoso apóstolo da aldeia consegue conduzi-la. Ela morre
confessando publicamente sua cumplicidade e rasgando, diante dos olhos de
todos, o manto de virtude sob o qual era venerada, apresentando-se como a
pecadora que é, ainda buscando perdão.
| A confissão de Verônica |
Esse resumo foi parcialmente copiado e traduzido do prefácio do 21º volume de La Comédie Humaine, publicado pela France Loisirs em 1987.
Sem conhecer um pouco da história do texto, estranhamos que o personagem que lhe dá o título, o padre Bonnet, só apareça na página 78 da edição da Globo! Na verdade, o padre é um personagem secundário, como vários outros. Originalmente, a história seria a das boas ações do padre Bonnet transformando uma população perversa, atrasada e sem fé, propensa a delitos e até mesmo a crimes, em pessoas religiosas e trabalhadoras. Isso através da fé católica. Nosso mestre considerou que essa história teria muito pouco apelo comercial. Despois de muitas modificações, a história se transforma na expiação do pecado de Verônica através de sua dedicação aos camponeses de Montégnac.
O que achei mais interessante é o que não está no texto. O fato de Balzac não ter descrito o romance de Verônica com Tascheron deixou o romance muito mais interessante. Sabemos que sua mãe, a velha Salviat, sabia de tudo. Adivinhamos que o filho de Verônica não é de Graslin, mas de Tascheron. Há um momento em que Verônica sustenta que a desconhecida amante do criminoso seria uma moça solteira e não casada, tentando convencer o promotor a afastar a premeditação e a consequente pena de morte. Há os sapatos elegantes que Tascheron usava no dia do crime.
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