Volume VI: Estudos de Costumes - Cenas da Vida Provinciana (lido entre 3 de dezembro de 2010 e 11 de julho de 2011).
domingo, 20 de novembro de 2011
Um Conchego de Solteirão - terceira história de Os celibatários (novembro de 1842)
Volume VI: Estudos de Costumes - Cenas da Vida Provinciana (lido entre 3 de dezembro de 2010 e 11 de julho de 2011).
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
A Bolsa (maio de 1832)
Personagens: Hipólito Schinner, Adelaide de Leisegneur, Baronesa de Rouville, cavaleiro Du Halga, conde de Kergaroüet, Francisco Souchet.
A história se passa no reinado de Luís XVIII, ou seja, entre 1815 e 1824.
A Bolsa é um conto mal acabado de Balzac. Longas descrições, uma situação de suspense e um final feliz muito forçado.
O jovem e promissor pintor de quadros Hipólito Schinner instala seu ateliê no último andar de um velho prédio. Distraído, caí de uma escada e desmaia. Ao acordar, está na presença de suas vizinhas que, ao ouvir o barulho da queda, o socorrem. Trata-se de uma bela jovem, Adelaide de Leisegneur, e de sua mãe, a baronesa de Rouville. No dia seguinte, Schinner vai ao apartamento das vizinhas agradecer pela ajuda. Eis o ponto alto do livro, a descrição do apartamento: "Para um observador, havia um não sei quê de desolador no espetáculo daquela miséria, que se assemelhava a maquilagem duma mulher velha que ainda quer se dar ares de moça". É a descrição que lança a ambiguidade sobre a vida de Adelaide e de sua mãe: eram elas simples mulheres que viviam em uma pobreza decente após um passado de riquezas? Ou eram mulheres de caráter duvidoso? Balzac aponta o tempo todo para a segunda hipótese. O nome da filha diferente do da mãe. Os cavalheiros idosos, Du Halga e conde de Kergaroüet, que frequentavam o apartamento, e as liberdades que tomavam com Adelaide que para Hipólito ora pareciam as de um pai, ora não. A avidez da baronesa pelo jogo. E, finalmente, o desaparecimento da bolsa de Hipólito com quantia considerável de dinheiro. O desfecho é decepcionante. Após alguns dias de dúvidas e sofrimento, Schinner descobre que Adelaide subtraíra sua bolsa para substituí-la por outra feita por ela. E o pintor é informado de que o conde de Kergaroüet, apiedado da difícil situação financeira da baronesa, perdia voluntariamente no jogo para ajudá-la, já que ela se recusava a aceitar dinheiro.
Balzac poderia ter deixado alguma ambiguidade no conto. Paulo Rónai chama a atenção, na introdução, para o alinhavo da história do jogo. O autor lança tantas sombras sobre o caráter da heroína, que o desenlace é totalmente insatisfatório. No início da história ele diz: "Nenhum pintor de costumes se animou, talvez por pudor, a nos iniciar na intimidade de certas existências parisienses, no segredo dessas moradias de onde saem tão frescas, tão elegantes toilletes, mulheres tão brilhantes que, exteriormente ricas, deixam em tudo os sinais de uma fortuna equívoca". Eis uma tema que Balzac trabalharia com maestria. Mas em A Bolsa ficamos só com a expectativa.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Eugênia Grandet (setembro de 1833)
A história começa em 1819 e termina por volta de 1829.
Paulo Rónai nos conta que Eugênia Grandet foi o primeiro sucesso de público e crítica de Balzac. Foi escrito em um período especial: entre o primeiro encontro com Eveline Hanska em Lausanne, quando se conheceram pessoalmente, e o segundo, em Genebra, quando se tornaram amantes. Foi, portanto, um apaixonado Balzac que escreveu a história do amor fiel e exaltado da provinciana Eugênia Grandet.
A fórmula do início é tipicamente balzaquiana e nossa conhecida: um retrato da família Grandet na cidade de Samur. A descrição da sala da casa Grandet nos conta quase tudo sobre a família que a habita. E aí aparece o personagem que ofusca a heroína: o tanoeiro Grandet. Ele passava os dias fazendo negócios lucrativos e as noites encerrado no quarto contando seus milhões. E apesar das vultosas quantias entesouradas, submetia esposa e filha a uma vida no limite da sobrevivência: “Durante quinze anos, todos os dias da mãe e da filha haviam decorrido placidamente naquele lugar, em constante trabalho, desde abril até novembro. No dia 1º deste último mês elas se transferiam para junto da lareira, a fim de passar o inverno. Somente nesse dia Grandet permitia que se acendesse o fogo na sala. E o fazia apagar a 31 de março, indiferente ao frio dos primeiros dias da primavera e do outono”.
A austera casa Grandet era frequentada por dois grupos: os Cruchots e os Grassins. O sobrinho do senhor Cruchot, presidente do tribunal de primeira instância de Samur, o o jovem Adolfo de Grassins aspiravam à mão da rica Eugênia. Grandet, que não pretendia dar a filha a nenhum dos dois, jogava com esses interesses para obter favores e aumentar sua fortuna.
O equilíbrio foi rompido pela chegada de Paris do sobrinho de Grandet, o belo Carlos. O rapaz, um típico dândi parisiense, vestido na última moda e já dotado de uma amante casada, chegou a Samur, enviado pelo pai, irmão do velho avarento. Carlos trouxe uma carta fechada na qual o pai contava a Grandet a sua falência, a desgraça de seu nome na praça em Paris e anunciava o seu suicídio. Pedia a Grandet que ajudasse o sobrinho. Grandet conseguiu, utilizando os serviços de des Grassins, suspender a falência do irmão. E preparou a viagem de Carlos para as Índias. Nesse meio tempo, o romance. Eugênia e Carlos se apaixonaram: juraram amor eterno e a moça emprestou ao amado grande quantia de dinheiro que guardava. Carlos partiu. Grandet, ao descobrir o sumiço do tesouro da filha, ficou fora de si. Trancou-a no quarto a pão e água. O desentendimento entre pai e filha agravou a enfermidade da senhora Grandet, que veio a falecer. No final de 1827, aos oitenta e três anos, foi a vez do velho Grandet. Antes, iniciou Eugênia nos mistérios da enorme fortuna. Eugênia, já nas casa dos trinta, esperava por Carlos. Seus pretendentes continuavam a frequentar a casa, mas cada vez mais desanimados. Em 1828, Carlos retornou. Refizera a sua fortuna, mas esquecera a prima. Logo arranjou um casamento de conveniência com a senhorita d’ Aubrion, uma jovem sem fortuna e atrativos, mas com pais bem relacionados e com a partícula. Ao ser interpelado por des Grassins para pagar as dívidas do pai e reabilitar seu nome, recusou-se a fazer dizendo que adotaria o nome do sogro. Eugênia, ao saber de tudo, fez um acordo com o juiz Cruchot: se casaria com ele, mas seria um casamento de fachada. Em troca ele deveria procurar o primo, devolver seus pertences e quitar a dívida do tio. Carlos descobriu tarde demais o quão rica era a prima. E Cruchot, que utilizou seus conhecimentos jurídicos para fazer um acordo matrimonial desvantajoso para Eugênia, foi apanhado pela fortuna: faleceu pouco tempo depois do matrimônio. Eugênia, ao final, estava sozinha.
Entende-se o sucesso de Eugênia Grandet. Mesmo sem o toque de gênio de Pai Goriot, o romance tem tudo o que Balzac sabe de melhor fazer. Em primeiro lugar, os personagens. Grandet é um dos grandes avarentos da literatura. Balzac conseguiu criar um avarento humano, bem menos caricatural que Gobsek. Ele distribuía pela manhã os víveres para o dia, obrigando a criada, a mulher e a filha a contrabandear comida. Mas seu amor pela filha e sua devoção pela esposa eram reais e o faziam, muitas vezes, fraquejar.
Eugênia é mais uma versão da virgem francesa de Balzac, a jovem que passa a viver quando descobre o amor. Surpreende, contudo, ao casar com Cruchot e humilhar o primo, pagando suas dívidas. E é encantador ver como ela trazia o velho Grandet dentro de si. Depois da morte do pai, ela manteve os mesmos hábitos avarentos. Ela só não era considerada avara na comunidade por seus trabalhos e doações para caridade.
A criada Nanon é uma forte personagem de apoio. Humilde e orgulhosa, comparsa e opositora das rabugices de Grandet. Acabou casada, como uma boa burguesa, após a morte do patrão. São muitos exemplos da incoerência orgânica que é a prova inequívoca da vida real.
Um segundo ponto, são as intrigas que Balzac consegue articular tão bem, sobretudo na província. As visitas do cruchonistas e grassinistas à casa Grandet atrás do ouro de Eugênia garantem os momentos cômicos do romance. Só que aqui as tramoias não roubam a cena, como em Úrsula Mirouët. Elas fazem um bom pano de fundo para ação que começa com a chegada de Carlos.
Finalmente, o amor segundo Balzac. O amor de Eugênia é totalmente idealizado. Ela se apaixonou pelo primo, à primeira vista, e devotou sua vida a esperá-lo praticamente sem conhecê-lo. O Carlos que aparece em 1828, é bem diferente do rapaz que chorou por dias a morte do pai. Em duas deliciosas páginas que Rónai denomina de “educação sentimental” de Carlos, surge um homem frio, calculista, envolvido em negócios nada morais, como tráfico de escravos. Ele era, afinal, um Grandet. A solução de Balzac poderia ter sido um casamento infeliz com Carlos, como o de Augustina Guillaume. Um final feliz com Carlos, como o de Adelaide, em A Bolsa. Um casamento feliz com Cruchot, como o de Modesta Mignon (que se apaixonou por Canalis, mas escolheu la Brière). Balzac escolheu um fim pragmático. Um casamento de fachada com Cruchot, para contentar a comunidade, e a viuvez precoce. Balzac apaixonado parecia pensar que se ama somente uma vez na vida. Mas no final, ele diz que Eugênia ainda poderia vir a se casar.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Émilie, Émilie - a ambição feminina no século XVIII
O que tantos livros sobre mulheres fazem na minha cabeceira, na minha bolsa, no meu leitor Kobo? Quando estava na graduação em História tinha uma certa rejeição por história das mulheres. Não queria fazer parte de uma história categorizada, separada do resto. Ingenuidade da juventude. Era como se diluir a história das mulheres na história da humanidade fosse garantir a igualdade de direitos entre mulheres e homens. Era como acreditar na concretude do caput do artigo 5º da Constituição brasileira. As duas pertenciam a classes privilegiadas, mas eram de meios diferentes e incompatíveis na época. Émilie pertencia à alta aristocracia. Louise, à burguesia financeira. Tiveram gostos, caráter e trajetórias diversas. O que tinham em comum, todavia, prevalecia sobre as diferenças, segundo Badinter. E está no título do seu livro: a ambição. "Mulheres em um mundo que reserva a glória apenas aos homens, são estimuladas a uma mesma ambição. Uma e outra escolheram um objetivo preciso para suas vidas, desenvolveram toda a energia de que eram capazes, utilizada até suas últimas forças. Mesmo que os resultados nem sempre tenham estado à altura de suas esperanças, nunca cederam ao desânimo nem depuseram as armas. A não ser o tempo necessário para qualquer ser humano se recobrar. Se o sacrifício e a perseverança são os sinais da ambição, então Madame du Châtelet e Madame d´Épinay foram autênticas ambiciosas. E quase irmãs".
Émilie nasceu em 17 de dezembro de 1706 em Paris, em uma família privilegiada em todos os sentidos, "rica, unida e nobre". Filha de um alto magistrado de Luís XIV, que tinha 58 anos quando ela nasceu, e tinha para com ela "todas a fraquezas de um avô e a ternura de um pai". Ao contrário da maioria das crianças nobres da época, passou quase toda a juventude na casa da família.
Louise nasceu em 11 de março de 1726 na fortaleza de Valenciennes, da qual seu pai era governador. Filha única de pai quase sexagenário e de uma mãe devota, recebeu as maiores atenções dos pais, o que, segundo Badinter, lhe armaram para que sempre tivesse confiança em si mesma.
Émilie foi privilegiada em termos de educação. "Nenhum conhecimento lhe foi proibido, nenhum constrangimento pesou sobre ela por causa do seu sexo". Interessada por línguas, aprendeu latim, italiano e inglês. Aos 17 anos, lia Locke no original. Contudo, original mesmo, era seu gosto por física e matemática. "Fato raríssimo na história da educação de meninas, seu pai a fez tomar aulas dessas duas disciplinas". E foi aí que ela encontrou o foco para a sua ambição.
Louise, segundo Badinter, se assemelhava a Émilie aos dez anos, em disciplina e vontade de saber. Todavia, foi nessa época que faleceu seu pai. Sua mãe tinha uma visão tradicional sobre a educação de meninas: bastava aprender a ler e a escrever. Louise foi confiada a uma tia rica rica, na casa da qual sofreu as humilhações habituais da prima pobre. Conseguiu acompanhar as aulas que a prima tomava com uma governanta, o que logo foi proibido pela tia, que julgava que uma mulher erudita era naturalmente pedante.
"Do século XVII até o fim do século XIX, a mulher erudita é constantemente ridicularizada e tudo se faz para que ela não exista. Quando, no fim do século XIX, as mulheres adquiriram progressivamente o direito de acesso às universidades, são solicitadas a utilizar seu saber para fins altruístas e não egoístas. Para agradar a seus maridos, para serem melhores professoras dos seus filhos, mas nunca para fins pessoais. Uma mulher que ame os estudos por si mesmos comete uma heresia".
Louise voltou a morar com a mãe e, entre 1737 e 1739, foi enviada a um convento, onde prevalecia a educação religiosa e habilidades como costura e dança. Isso foi tudo o que Madame d´Épinay teve em termos de educação. Aos treze anos, ainda tinha dificuldade para escrever.
Ambas passaram por todas as etapas da vida de uma mulher da época: casaram, tiveram filhos e tiveram amantes. "Entretanto, o século XVIII constitui uma espécie de paradoxo na história das mulheres privilegiadas. Ao mesmo tempo que mantinham para estas a obrigação de casar e de ter filhos, a ideologia dominante lhes concedia direito à negligência. A inconstância conjugal não era um vício. Pode-se mesmo dizer que a fidelidade era considerada um valor fora de moda, quase ridículo, e os cuidados da maternidade não eram considerados dignos das preocupações de uma mulher da alta sociedade".
Para remediar a insignificância da vida feminina, muitas mulheres das classes privilegiadas investiriam na vida social e mundana. "Outras, principalmente depois de 1750, tentaram voltar a dar vida e interesse às preocupações familiares". Madame du Châtelet pertenceu ao primeiro grupo. Madame d´Épinay, ao segundo.
Émilie fez um casamento de conveniência. Louise casou por amor com um primo irmão. "A mais satisfeita das duas foi, no entanto, a primeira. O Sr. du Châtelet revelou-se um marido muito gentil, discreto, cortês e amigo, enquanto o Sr. d´´Epinay foi uma caricatura de esposo execrável. Mas, ambos, não puderam, ou não quiseram, satisfazer suas esposas." Quem o fez foram Voltaire e Grimm, com quem elas formaram pares ligados por sentimentos e interesses. "É incontestável que esses dois homens deram às duas Émilies os trunfos necessários, mas não suficientes, para a realização da ambição delas: a estabilidade afetiva e o respeito do homem admirado, o que lhes dava confiança em si mesmas".
Badinter não foge da questão que nos ocorre nessa altura do texto. Não estamos aqui fazendo o mesmo de sempre, valorizando Émilie e Louise pela sua ligação com homens célebres? "Se fosse preciso expor a ambição masculina no século XVIII e particularmente a de Grimm e de Voltaire, deveríamos evocar suas relações afetivas e delas fazer a condição necessária à sua ambição?". A resposta é não. Voltaire e Grimm já eram conhecidos antes de se ligarem a elas. Não tiveram necessidade de admiração e reconhecimento das companheiras para investir em suas ambições. Já Émilie e Louise nasceram para desempenhar o papel tradicional de esposa, mãe e presença mundana nos salões da elite da época. "O amor, longe de ser uma fonte de alienação, foi a condição de emancipação e autonomia delas. Desde de que se sentiram amadas e respeitadas, elas cessaram de sentir a necessidade de correr atrás do reconhecimento dos outros". Podiam ser elas mesmas e se dedicar a sua ambição.
Émilie foi amante de Voltaire entre 1733 e 1741. Louise foi amante de Grimm entre 1754 e 1773. Ambas foram muito apaixonadas e foram correspondidas. Viveram com seus amantes uma comunhão intelectual, com estudo, leituras e trabalhos conjuntos. Deixaram de ser correspondidas em função de outras paixões, no caso de Voltaire, e, da ambição, no caso de Grimm. Mas nunca romperam a relação de amizade e companheirismo com eles. Ambos sobreviveram a elas.
Mas o que essas mulheres fizeram de extraordinário?
Émilie du Châtelet foi uma das primeiras, senão da primeira mulher Física de história. Escreveu Instituições da Física em 1740, no qual difunde a física newtoniana, pouco conhecida na França da época. E se distingue dos seus pares do século das luzes ao tentar conciliar Newton (1643-1727) com Descartes (1596-1650) e com a metafísica de Leibniz (1646-1716). A partir de 1744, ela se dedicou a traduzir os Principia de Newton para o francês em uma edição comentada. Sua morte precoce em 1749 a impediu de terminar o trabalho, que foi concluído pelo amigo Alexis Claude de Clairaut (1713-1765). Até hoje é a tradução de Newton que os franceses leem. Voltaire escreveu no prefácio:
"Essa tradução, que os mais talentosos homens da França deveriam ter feito e que os outros devem estudar, um mulher a empreendeu e terminou, para o espanto e a glória do seu país. Gabrielle-Émilie (...) é a autora desta tradução que se tornou necessária a todos que queiram adquirir os profundos conhecimentos que o mundo deve ao grande Newton. (...). Tem-se aí dois prodígios: o primeiro, que Newton tenha escrito estas obra; o outro, que uma mulher a tenha traduzido e esclarecido".
Louise, que foi anfitriã de Rouseeau (1712-1778), se dedicou a escrever sobre educação. Sua obra, Conversações com Émilie de 1774, escrita para a educação de sua neta, Émilie, subverte as instruções de Rousseau no seu Émile. Jean-Jacques, um dos grandes responsáveis pela submissão da mulher na era burguesa, recomendava à Sophie, companheira de Émile:
"Todos os estudos ociosos não levam a nada de bom (...). Que necessidade tem um menina de aprender a ler e escrever tão cedo? Terá ela logo uma casa para administrar? Muito poucas há que, ao invés de apenas abusar, fazem um bom uso dessa ciência fatal (...). ".
Pois nas suas Conversações, Louise construiu uma anti-Sophie: "Quando vós vos empenhais em cultivar a vossa razão, em orná-la com conhecimentos úteis e sólidos, estais abrindo para vós mesmas tantas novas fontes de prazer e de satisfação, tantos meios de embelezar vossa vida, de ter recurso contra o tédio e consolo durante a adversidade, quando conhecimentos e talentos. São bens que ninguém pode roubar-vos, que vos livram da dependência dos outros (...) que, ao contrário, tornam os outros dependentes de vós; pois quanto mais talentos e luzes temos, mais nos tornamos úteis e necessárias à sociedade.". Nas palavras de Badinter: "Rousseau pode prender as mulheres no lar quanto quiser, Madame d´Épinay lhes dá a receita para escapar". Louise escreveu outras obras, mas foram as Conversações que a tornaram célebre. Em 1783, foi premiada pela Academia Francesa.
Hoje as mulheres seguem os caminhos abertos por Émilie e Louise. São cientistas, pedagogas, políticas, intelectuais. Escolhem ter filhos ou não. Mas o baixo número de mulheres que escolhem carreiras científicas e a sombra dos ensinamentos de Jean-Jacques sobre a educação das meninas indicam que as Émilies ainda tem muito o que ensinar.
quarta-feira, 24 de junho de 2020
Pedro Grassou
Pedro Grassou é, nas palavras de Paulo Rónai, uma anedota. É interessante, contudo, pois é um dos textos no qual Balzac reflete a respeito da arte e do artista no seu tempo. sexta-feira, 15 de julho de 2011
Todos os fogos o fogo
Todos os fogos o fogo. Julio Cortazar. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 2007. Tradução: Gloria Rodrigues.

